CAPÍTULO I
Estavam reunidos em uma taverna, numa fria noite de inverno. O grupo de mercenários contava com quatro integrantes, composto pelo Mago Jhoran, a Arqueira Arien, o Anão Berthor e o Guerreiro Beren. Juntos realizavam os mais diversos tipos de missões para ganharem ouro e satisfazerem as suas necessidades. Naquela noite, enquanto a chuva caía fortemente lá fora, os amigos discutiam sobre os intrigantes eventos que circundavam por toda Elvandar. De acordo com os homens do sul, um terrível pode acabara de ser acordado nas antigas ruínas de Hüor.
– Os rumores estão crescendo cada vez mais. De acordo com a guilda dos mercantes, uma vila foi totalmente incendiada perto do Passo dos Cavaleiros. – Disse o Guerreiro, limpando a cerveja que descia pelo canto de sua boca.
Foi a vez da arqueira, que também era uma elfa da Floresta da Névoa – Meu povo tem matado cada vez mais orcs perto de nossas fronteiras. Algo de muito ruim está acontecendo na antiga fortaleza ao sul da floresta. – Disse ela, alisando seus longos cabelos avermelhados, que caiam em cachoeira sobre seus ombros.
O Anão se levantou bruscamente, derrubando sua cadeira e chamando toda a atenção da taverna. – Não importa quantos orcs tenham atravessado o Passo dos Cavaleiros. – Disse ele, retirando seu machado e colocando em cima da mesa. – Desde os dias antigos que meu povo protege todo o Norte dos antigos servos do Senhor das Trevas. Não há motivos para que vocês se preocuparem tanto com rumores.
O mago Jhoran se manifestou. – Sim meu mestre anão, mas devemos tomar todo cuidado, pois também fiquei sabendo de alguns eventos estranhos que tenham se passado perto dos Ermos. Soube que um grupo de seus parentes, liderados por Dúrin, enfrentaram três trolls das montanhas. Felizmente, todos do grupo foram bem sucedidos, e conseguiram se salvar sem nenhuma baixa.
Nesse momento, algo de inesperado aconteceu. Um homem entrou na taverna cambaleando sobre uma perna. Se vestia com velhos trapos rasgados e molhados, seu rosto estava sangrando e sua perna estava ferida. Ele deitou no assoalho da taverna e gemeu algumas palavras distorcidas. Todos os olhos foram atraídos para aquele pobre moribundo que acabara de entrar. O guerreiro foi o primeiro a ajuda-lo. Ajoelhou-se ao seu lado e colocou sua mão embaixo da cabeça do homem.
– O que aconteceu com você? – perguntou o guerreiro, limpando sua fronte.
– Ho... Hob... Hobgoblins – Disse moribundo, fitando apenas o vazio que seus olhos enxergavam.
– Onde? Aqui tão perto de Crydee?
– Eles estão vindo, eu sei, eu vi com meus próprios olhos. Fomos todos encurralados perto de Minas Zün. Não vimos ... cof, coff... Não vimos nenhum anão quando chegamos lá. Apenas as criaturas que cercaram nossa caravana... coff cof coff – tossiu o homem, espirrando sangue pelo seu rosto. – E ele, o espectro negro que montava a criatura alada, não tivemos nenhuma chance. Todos morreram, somente eu consegui escapar.
– Espectro Negro? – Indagou a o Mago, que fitava seriamente o homem caído.
– Sim, uma grande figura com vestes totalmente negras... coff cof, ele tinha um elmo com três hastes pontudas e montava uma espécie de lagarto alado. Falava numa língua desconhecida, dando ordens às suas criaturas submissas, que causavam um grande pânico e matavam todos os meus companheiros. Por sorte, eu escorreguei numa ribanceira enquanto tentava fugir, caí num riacho que passava por ali. Quando acordei senti uma dor aguda na minha perna. Levantei-me com dificuldade e fui até o local do ataque. Vi todos os meus amigos mortos. Íamos fazer uma grande troca com os anões que moravam em Minas Zün, mas em vez disso caímos todos em uma armadilha. Depois disso me dirigi para o noroeste, procurando alguma vila para tratar dos meus ferimentos, mas tudo o que meus olhos viram foram léguas e léguas de campos queimados. Por sorte encontrei uma mula perdida, e assim cheguei aqui. Pelos Sete Deuses, vocês tem que avisar ao Rei Daeron.
Arien falou com um semblante preocupado. – Se o que ele estiver falando for verdade, devemos ir para Elvandar o mais rápido possível, o reino precisa saber a respeito dessa ameaça.
Elvandar fica a vinte dias de Crydee, – Disse Beren – devemos viajar leve. No caminho podemos parar na cidade de York para nos restabelecermos com suprimentos.
Sim – interrompeu o anão – Também é uma ótima oportunidade de ganharmos muito dinheiro com tudo isso. Sabe, nos últimos dias não conseguimos achar missões para pagar nossas despesas, e, além disso, soube que York tem as melhores putas de todo o reino, – Disse o anão, soltando uma grande gargalhada.
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